Turbilhão

Garota,

Peito estufado
Brincando com os sentimentos do malandro.

Sai pela rua como
Se o mundo a desafiasse.

Livre
Trancafia-se aos outros
Enlaçada.

Vive como quem já morreu
Ousada, gosta de expandir afetos
Não conhece, mas tudo sabe sobre o amor e as paixões.

A cada segundo, reinventa-se
Escolhe mentiras e
Torna-as verdades.

Dona de enorme coração
Mantém-o impenetrável:
Aberto somente aos domingos
E aos amigos
Ensolarados.

Quando se pega pensando em alguém
É mentira.
Pensa em ninguém
Mal quer saber de si mesma
Quando o si mesma insiste em envolver alguém.

Quanta agitação!
Ela ainda sorri
Em meio ao turbilhão
Que é tentar ser feliz.

Ela pensa ser possível descobrir-se sem
Ser descoberta.
Dias, meses, anos
Bocejos na velocidade da luz, anos-luz.

Faz carão, você não viu?
A garota-turbilhão já passou
Deixando seu perfume veloz para trás.
Tirou as coisas do lugar
Bagunçou, saculejou
Destruiu e foi embora
Sem se despedir.

Te vejo por aí?
Não sei, quem sabe, talvez…

.

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