Arquivo de fevereiro \20\UTC 2013

IN-Tropicável

trabalhador_negro2

Eu sou intropicável
Misturado ao barro-lodo
Barro nas mãos de Nanã
Todo feito de orixá
Iaô de Iemanjá
Seguindo o rastro de Oxumaré
Nos raios da dona do mundo, Iansã
Vou seguindo o caminho das águas, Oxum

Eu vou da terra ao vôo verde das araras
É o meu retorno à África mãe
Vou seguindo na mata
Eu sou intropicável

Eu sou intropicável
Domino o jogo da viola
Passo a perna na tristeza
Sou dos trópicos, sou bacana
Cyber fibra ótica colorida

Fibra ótica mística
Atravessando encarnações
Batuque de maculelê
Maluco lelé
Berengodengo
Coração besuntado de doce
Das Minas e da Bahia
Eu tenho o coração cheio de axé
Eu sou intropicável

E toda sexta-feira
Vou lá ver a saia rodando
Vou sentir o xêro do cangote da mulata
Me aproximo, estou longe
Máquina mágica me aproxima
Coração besuntado no ritmo do tambor
Tã tum tã, tum tum
Eu sou intropicável

Vodum, Nagô, Ketu
Jesus Cristo, Oxalá
No jogo dos ombros, tremem,
Em transe
Ago Ilê

Eu sou intropicável
E no canto da parede lá de casa
Santos, velas e ervas
Pois antes da descoberta do fogo
Estavam todos ali
Já de pé sobre a fogueira

Porque sou filho de Exu.
Deixa irradiar em mim
Eu sou intropicável.

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1 comentário

Janiel fuja!

janiel

Janiel fuja do álcool!
Janiel fuja do cigarro!
Janiel fuja das drogas
fuja do sexo!

Janiel fuja pras colinas
Janiel fuja já desse filme ruim!

Janiel fuja das ruas,
Janiel fique em casa!
Janiel não se case!
Janiel não se afogue!
Janiel não se apaixone!

Janiel não coma isso!

Janiel a vida reprimida!
Janiel não se sinta preso!
Janiel fuja da solidão!
Um abraço, um aperto de mão!

Janiel ouça esse grito,
Janiel segura a lágrima,
Janiel não nade pra baixo,
Janiel não olhe pra trás,
Janiel, toma força neguinho

Janiel reze pela sua alma,
Janiel prometa pelos seus filmes
Janiel não CORTE o caminho.

Janiel encontre a saída!
Janiel fuja de se arriscar,
Janiel risque em si, sem dor
Janiel fuja da dor.

Janiel! Janiel! Janiel!
Não morra, sobreviva!

Janiel, Maria.
E a dor, e o sorriso, e o trágico,
e o peixe, e o profundo,
e o oceano, e as cores,
e a primavera, e respirar,
e as comidas, e os parques,
e o cinema,
e o quindim, e o samba,
e Yoñlu, e o terror,
todo o terror de se obrigar
a viver todo dia.
Fuja de tudo isso, Janiel!
Fuja!
Maria, Janiel.

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