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As mulheres e as montanhas de paus

Com tanta guerra a Humanidade acabou por matar todos os homens que viviam no planeta. Sobraram pouquíssimos que, de tão assustados com a selvageria com que as mulheres os buscavam, resolveram se esconder por aí e montar uma comunidade gay de resistência. Agora vivem quietinhos, escondidos, sem alarde, mantendo relações homoafetivas numa boa. As mulheres, essas sim, enlouqueceram! Transam entre si adoidadas, as antes descartadas ‘sapatonas caminhoneiras’ viraram objeto de desejo no mundo todo.
Com o mundo dominado pelas mulheres, elas passaram a ocupar todos os cargos de liderança numa disputa feminina pelo poder que deixaria o mais raivoso homem hétero dos tempos antigos no chinelo. Se engana quem acha que o mundo tornou-se sensível com tanta mulher pelo mundo! Pelo contrário,tornaram-se arredias, violentíssimas, vingativas, mau humoradas e ressabiadas.
O trânsito virou uma loucura, assim como as antigas bolsas que usavam. Aliás, agora os objetos de prazer feminino, de tão abundantes que são (a produção de bolsas, sapatos, colares e afins quintuplicou em apenas dois anos) andam jogados por aí. Nas boates, vídeos relembrando os áureos momentos de dominação masculina são expostos como relíquias enquanto as mulheres esfregam sofregamente seus consolos no meio das pernas, com saudades dos homens, mesmo os mais barrigudos. Ai, como fazem falta, resmungam elas! E fazem sexo, como loucas, com vibradores, entre si, beijando-se em grupos de quatro, cinco ou seis mulheres juntas! Orgias são tão comuns quanto almoçar (aliás, taí algo que também virou raridade).
Pois em um dia quentíssimo do verão tropical, naqueles dias que não há roupa nenhuma sobre o corpo e que as taras estão em altas é que aconteceu o imprevisto. Do solo de todas as cidades, quebrando os concretos, arrebentando os edifícios, invadindo as salas, os banheiros, interrompendo congestionamentos, matando milhares de fêmeas surgiram do chão vários pênis enormes.
Os pênis cresciam rapidamente, eretos, fálicos, molhados. A glande em riste, o tronco grosso. Alguns peludos, outros lisinhos. Pênis negros, brancos, asiáticos (que não eram nada pequenos). Cresciam viris, enormes, tão grandes como montanhas! Cresciam, cresciam sem parar, aos montes, de vários formatos, tortos, retos, com fimose, pintadinhos, sardentos. Muito pau, muito pau, muito pau!
Passado o susto inicial, as mulheres despirocaram total, surtaram. Começaram a lamber os paus gigantescos, lambiam, chupavam, roçavam suas xanas com força naquele mundaréu de pica que nascia em todos os cantos. Verdadeiras orgias com milhares de mulheres que arrancavam suas roupas fora, e nuas,  se jogavam de encontro aquele monte de pica. Os mais procurados eram as picas negras, enormes, grossas, rijas. Lambiam sem parar, elas queriam enfiar aquilo tudo dentro delas, mas não era possível!
Os dias se passando e a loucura, a histeria coletiva não passava! Elas não mais comiam, não bebiam nada além do líquido viscoso e leve que saia das grandes montanhas de pica. Não mais trabalhavam, não viviam! Criou-se uma dependência coletiva, geral e irrestrita de pau que nenhuma doutora conseguia resolver!  Ao verem as mulheres febris com as florestas fálicas, as fêmeas que, antigamente, eram as únicas que se excitavam realmente com vaginas e peitos, se suicidaram, depressivas por não terem dedos e linguas que satisfizessem suas, outrora, companheiras.
Até mesmo as grandes sábias, que refletiam a sociedade da época, se entregaram aos paus como as freiras se entregavam a Jesus no século passado. Era o dia todo, a noite toda! A Natureza enfim as havia recompensado por tanto tempo de dominação masculina! Gozavam o tempo todo entre elas, com os paus, subindo neles, descendo, carpindo as arestas, lavando-os, colorindo-os das mais variadas cores. Resolveram todos os seus fetiches, com os paus pequenos, médios, grandes e gigantescos que formavam uma verdadeira floresta fálica ao redor de todo o planeta. O cheiro de sexo imperava e nem por um minuto as mulheres mostraram-se saciadas. Mas a Natureza tem lá suas limitações e nem mesmo ela pode com a ambição feminina.
Certo dia, um tremor sacudiu todo o planeta. Todas as picas e paus, resolveram de uma só vez, derramar sobre o planeta o gozo reprimido por todos aqueles dias. Como uma grande larva incandescente de prazer, os pênis eretos soltaram seus líquidos, suas sementinhas quentes. As mulheres foram varridas dos topos das montanahs fálicas, afogaram-se no esperma, asfixiadas. E, de sádicas que eram, todas morreram gozando também. Gemendo, gritando, sorrindo, revirando os olhos, as mulheres foram varridas do planeta por aquela imensa onda de gozo que saía aos borbotões das grandes montanhas de paus.
Dias se passaram até que a imensa onda de gozo secasse lentamente. Após este tempo, que ninguém sabe ao certo qual foi, aqueles homens, presos nas cavernas em suas relações homoafetivas por tanto tempo, saíram de fininho das cavernas que se escondiam. Limparam tudo, arrumaram tudo, organizaram tudo! Trabalho contínuo, durante meses! Reconstruíram as fábricas de cigarro, os cinemas, as padarias, os clubes noturnos, as grandes megalópoles.
Após a reconstrução, cansados, pararam por alguns minutos e se olharam: velhos, acabados. Não havia tempo para inventar uma nova mulher, menos maluca que a anterior. Não havia tempo de inventar técnicas para que eles mesmos reproduzissem entre si.
Então, calados, cansados e famintos, sentaram todos sobre os paus moles que haviam sobrado, com a mão no queixo, tristinhos. E esperaram a morte chegar, tão broxas como as grandes picas, que, nem elas, fortes invenções da natureza, conseguiram saciar a mulher.
Nem a Natureza pode saciar uma mulher.

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