Redenção

Por: Darlon Silva

Estou limpo. Redimi-me. A redenção veio direto do inferno fazendo-me perceber a bobagem que é se jogar nos braços de anjos pueris. Bobagem, há vida quentíssima lá fora. Mesmo que chovam águas paradas. São águas limpas, como a mais límpida chuva última no veraneio a lavar das folhas a crosta de tédio do pôr-do-sol. As lágrimas tornaram-se sorrisos, gargalhadas, talvez sarcásticas. Sinto-me forte, olhares que antes amedrontavam-me não mais me incomodam. Lanço minhas mãos (novamente, mas de outra forma) aos ares como a quem busca orgia com elementos naturais. Sim, fazer sexo com as luzes, me apaixonar pelas folhas, rolar entre a fertilidade deste solo e a virilidade de se queimar por dentro. Estou livre para me apaixonar por aí de novo. Mas, desta vez, há um fio maior de maturidade em mim.
É hora de curtir o dia que se apresenta claro como todas minhas ideias do que fazer no fim de semana com amigos. Descobri que há a necessidade de se aprender passando por pequeniníssimos percalços. Ah, os percalços, haha! Estes obstáculos, que de início te levam em um rodopio pelo salão das danças loucas dos que são irresponsáveis! Que te demonstram serem tão intensos, mas de fúteis te cansam antes do fim da primeira música,no baile recém-começado.
É felicidade extrema descobrir que o parceiro preferido é aquele que te excita e não o que entedia e faz bocejar, embora pareçam tão cheios de conteúdo!
E como bocejei! Agora, um pouco à frente de tudo, percebo que quase dormi. Assim, com o queixo apoiado em minhas mãos recordo-me de alguns momentos onde o elemento perturbador fez-se importante para mim. Mas, sinceramente? no fundo sempre esperei pelo fim. Não o fim no outro, mas o predestinado fim em mim. O término interior consola, mas mais que isso: redime.
Sabe porque não grito? Porque desperdicei itens mais importantes da minha vida no probleminha: palavras, meu caro! Oh, meu Deus, sinto muito por todas aquelas desperdiçadas no percalço. Perdão, palavras, caras amigas minhas! Espero que ao menos de inspiração sirvam a outros no processo de redenção. Eu espero,
realmente, que minha indiferença não mantenha, bem, as palavras longe de mim.
Consola-me ter feito de um percalço qualquer algo especial. Afinal, alguns quadros nada importantes para o mundo ganham cores fortes nos pinceis maiores de gênios que saibam pintar com serenidade. Gênios prontos para realçar a beleza do vazio e loucos o bastante para destruir a futilidade de nuances banais.É interessante  sentir-se tão pequeno, é sabido que a força está em reconstruir. Quanto mais visceral possa ter parecido ser para mim, o que vejo hoje são cores tão fracas, tão apagadas que… Lembrei-me de que enquanto algumas pessoas batem à sua porta e sempre há a indecisão entre o abrir ou não, outras nos contentamos em olhá-las na calçada, longe, pela fresta da janela de nossa privacidade.
Por mais que buracos tenham merecido atenção de minha parte, na tentativa de adentrá-los que hoje, sinceramente me parecem serem… Simples buracos! E buracos todos sabemos, apertados ou não, encontramos aos montes, inclusive nas sarjetas mais sórdidas! Buracos têm opinião? Expressam algo além de rugidos proeminentes de seus ecos nonsenses e cheios de pretensão? Blá, não entendo o dialeto buraquiano.
Enfim, estou pronto para mais uma, amigos! Bebamos à vida, bebamos aos amores pequenos, bebamos aos que vivem por aí, bebamos às nossas sutilezas, aos nossos pais combalidos cansados de nada ensinar. Bebamos aos exageros da juventude, aos erros idiotas dos mais novos, às palavras ditas de forma leviana, ao leva e traz gratuito e aqueles que tanto pensam ser que esquecem que a vida é feita de pensar.
Como diriam alguns, o intestino, tão instintivo como um touro no máximo de sua fúria, está preso ao pensamento. Sutileza citar aqui intestino. Volto a ser o mancebo das orgias romanas regadas a vinho. Volto a exalar soberba, o egoísmo de fingir-se fraco, volto ao sexo, meus companheiros, com fome maior do que jamais tive. Volto aos beijos realmente quentes, aos lábios sinceros no pau e às línguas safadas reais no ouvido. Volto aos corpos experientes, às palavras sacanas e ao cara  do lado que nunca enxerguei. Sim, sexo de verdade. E no fundo, o amor verdadeiro: aquele prazer descompromissado por quem mereça. Bacanal legal.
Adiante, próximo assunto, next! Pois por mais que subas na escada, por mais alto que te encontres, o prazer está em lançar o teu olhar blasé sobre as pedras que te proporcionaram a subida. Beijo; minha escada sobe e o percalço…
Bem… O percalço desce!

“Carinhosamente” por: Darlon Silva  (Me diverti um montão!)

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