Entre a colher e o garfo

Por: Darlon Silva

Como diria um amigo recém-conhecido no mundo das redes sociais, “existe uma intenção em largar a colher e comer com o garfo”. Não dito necessariamente desta forma, mas não trata-se de plágio anunciar aos quatro ventos as idéias que colhemos de outras pessoas e que nos afetam sentimentalmente.
Essa metáfora da colher e do garfo a mim sempre soa com conotação sexual forte e definida, hahaha. O que dizer do peso de Caio Fernando de Abreu?  O que esperar da leveza (disfarçada) do Carpinejar? E como conviver com a vontade intrinseca em nós de ser leve, suave e flutuar como uma pena pelo mundo?
A resposta é não, não é mesmo? Esse peso que nos acompanha vicia, e de certo modo, está geneticamente implantado em nós, com direito ao prazer pelo processo de dor E às vaidades tão características do egoísmo que existe dentro de cada insegurança.
Caio nos puxa para o mais baixo vão entre o lirismo e a vulgaridade de uma escrita tão humana e perturbadora por ser sexual, passional e amoral, se é que essa mistura possa existir racionalmente. O Caio apresenta a palavra aberta como um órgão genital, escancarada em suas intenções e soam como música aos ouvidos dos indivíduos mais intensos, pretensiosamente emocionais e surtados de plantão. Não que isso rebaixe sua escrita, Caio sabe o que faz. E a cada linha navega em um mundo onde as emoções estão em primeiro plano, conduzindo a razão pelos caminhos mais obcuros de nossos instintos animalescos.
Ler Caio Fernando de Abreu é como uma sessão de sexo. intenso e forte, algo em que é preciso suor para se chegar ao grand finale nunca com a garantia de prazer particular, embora dependamos do outro.
Não saberia analisar a obra de Carpinejar. Ainda não o li. Nicole, minha grande amiga, retrata a leveza de se deixar levar por Carpinejar e o quanto isso contrasta com a intensidade apaixonante da leitura de Caio. Isso em nenhum momento entrega que a leitura de Carpineajr seja fácil, pois não o é. Mas instiga o leitor complicado/caiofernandiano a descobrir um mundo onde flores são simplesmente flores, e não um emaranhado de sentimentos ainda não descobertos no limbo de seu coração.
Para Carpinejar, segundo Nicole, o valor das coisas pode estar na entrega. mas de uma forma sutil, de uma forma mais equilibrada. Carpinejar talvez seja um alívio em meio á selva de pedra que nossa vida suburbana/urbana/caiofernandiana tenha se tornado.
Em comum entre Fabrício e Caio, temos o hermetismo que atinge a todos, purificando qualquer alma da ociosidade emocional que é característica dos tolos e dos que vêem a vida passar pela palma das mãos como água do banheiro. Isto é um dom comum a ele, e talvez a mim também, no futuro, seja.
E eu, esperto que sou, vou seguir o conselho dos meus dois amigos aqui deste texto. Abandono por hora o sufocado mundo de Caio, para navegar n mar de doçura (nem tanto) de Carpinejar, ou Fabrício, para os antigos. Mas continuo mesmo assim, comendo com colher, garfo, faca e bebendo em cálices impuros.

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