Do verbo ter

Por: Darlon Silva

 

Tenho submundos em mim
Que nem eu mesmo
Gostaria de conhecer.
Tenho segredos
Inconfessáveis
Mesmo a mim.
Tenho manias estranhas
Que não quero
Torná-las públicas e envergonhar-me.
Tenho músicas, não quero que ninguém as ouça.
Tenho vídeos, não quero que ninguém os veja.
Tenho livros, não quero que ninguém os leia.
Tenho produtos, não quero que ninguém os use.
Tenho beijos e espero que ninguém os sinta.
Tenho amor, ninguém irá provar.
Tenho luz,
Tenho trevas,
Tenho desejos,
Tenho solução e problema.
Tenho medo do nada.
Tenho a certeza
Do futuro que é incerto
Nesta vida que não passa.
Tenho vícios, amo eles.
Tenho imperfeições, várias delas.
Tenho beleza, mas,
Tenho algo estranho em mim.
Tenho o objeto,
Tenho mãos,
Mas não faço questão
De tocá-lo.
Tenho em mim a impressão
De que o no outro
Terei felicidade.
Tenho boas maneiras: Foda-se!
Tenho boa memória, mas não me lembro ainda.
Tenho horas: Você tem um relógio?
Tenho tal idade: Qual é a sua?
Tenho boas rimas,
Tenho péssimos poemas.
Terei uma vida longa,
Terei uma morte natural.
Tinha dom para piano, mas,
Tive tendinite.
Tenho certeza de
Que não tinha dito isso.
Tenho amigos, mãe, família.
Tenho olhos castanhos,
Tenho um corpo esguio.
Tinha um sexo definido
Nunca tive certeza disso.
Tenho paciência, não comigo mesmo,
E só às vezes.
Tenho que trabalhar.
Terei algo a dizer.
Ou não?
Não tenho nada.
Agora, dá licença,
Tenho que ir!

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