As brumas de Bruno

Por: Darlon Silva

Desta vez, não sei como começar. Desta vez não sei o que vai acontecer. Prometi a mim mesmo nunca mais ser tão pessoal, intimista e intenso, mas não foi possível, eu fui desarmado. E a dor, assunto recorrente em mim e em tudo que faço aparece novamente. Concluo que não se deve salientar a ternura que sentimos em viver, muito menos alardear alegrias em tempos de pranto. O que deve ser dito é a verdade, apenas para os que acreditam.
Eu vejo o ocaso no céu, longíquo. Os raios iluminam toda a tristeza do mundo, concentrada no meu rosto, cheio de lágrimas, cheio de angústia. Cheio de amor. Cheio de ternura. Mas as brumas estão longe, minhas pernas ainda não maturas o suficiente nunca alcançariam aquelas brumas. A dficuldade da subida excita-me antes da partida. Estou pronto.
Aproximo-me calmamente, confiante passo por passo, deliciando-me com o caminho. Mastigando flores amarelas, ouvindo o canto de pássaros coloridos, respirando ar puro e cantando uma canção inventada. Mas o caminho
muda. O caminho escurece minha alma. O corpo não cansa, mas a mente dispersa por aí.
E quando volto a encarar o caminho, as brumas estão ainda mais longe. Afastaram-se. Fogem de mim. Estão arredias, tornaram-se móveis objetos de desejo, afáveis ao olhar mas extremamente arredias ao toque. Eu sei que muitos riachos correram pelas brumas. Alguns marcam, mas sempre é possível reconstruir-se. Não acho que elas precisassem de passado. São o futuro, porque é nelas que se esconde a fertilidade do solo abundante do meu mundo.
Durante horas a fio andei impacientemente. As brumas se afastaram de mim. Paciente, perplexo, vi-las sangrar como novilho em abate e nada pude fazer. Não é tarde para mim. A noite propicia-me o frescor de caminhar com os pés em sangue e carne. Vivos e quentes. De repente, um raio rápido, rasteiro, mortal, acaba comigo.
Vejo-me onde estou. Procurando mais que esperando respostas.Metáforas à parte eu sofro bastante. A noite passou mas as marcas da caminhada continuam em mim, desta vez, brumas, são incuráveis. O destino não alcançado e tudo faz parte disto. Estou aberto, arreganhado, frágil, inseguro e com medo. Percebo que a complexidade de dominar tais brumas é a dificuldade que tenho em me encontrar. Antes tenho que saber quem sou e o porquê do que sou.
Estou.
Com medo.
E eu sei do que preciso.

Bruno.

(Em construção a cada dia)

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