Ano Novo

Por: Darlon Silva

Danem-se. Assim começo o ano. Danem-se.
Não, não pretendo entender meus sentimentos pois eles circulam com tanta fúria em minha mente que facilmente destruiriam o mundo se saíssem por aí. Tanta verborragia, tanta animosidade sem causa, devem pensar alguns. Mas é isso mesmo, tudo em vão, afinal vivemos em vão. Não adianta crer em objetivos maiores, não necessito do Paraíso para tornar minha realidade mais aceitável. Gosto do torpor de ser podre, de ser mundano, espírito sujo ao extremo.
Quero ser pagão embora minha religião não permita. Eu quero o submundo dos submundos. Me acabar em alguma droga ilícita, foder com tudo a todo instante. Preciso de atenção dos meus pares para dizer a eles que não estou nem me fodendo pra tudo isso. Preciso gritar e fazer do grito a canção mais hstérica que já ouvi, ao menos seria a minha canção. Gosto de sentir o sabor do fracasso, isso me move. O sucesso é para os fracos, que querem se acomodar em tudo.
Eu sou indiferente ao sucesso, quero que se ferre com o otimismo forçado das pessoas que se acham felizes e são uma merda só interior. Algumas privadas seriam mais limpas. O cheiro da decomposição é o meu perfume francês, tudo bem,  só queria tentar te chocar.
Gosto de me morder. Adoro a dor em mim mesmo, se for premeditada. Me arranho, é bom, acredite. Melhor que essa história boba de tentar se matar por métodos falhos, ao menos sou sincero comigo mesmo sobre isso. Gosto dessa merda de vida e estou quase deixando algo para a posterioridade, talvez o que fique para sempre seja o fato de eu nunca ter feito nada bom o suficiente para a posterioridade. Mas também, o que é a posterioridade senão o reconhecimento de pessoas que você nunca viu nem nunca irá conhecer, por já estar morto! HAHA!
Agora rasgo minha camiseta branca, que vesti por imposição social e finjo que tudo ficará bem, que as metas que traço agora todas serão cumpridas, a dieta, aquela do cigarro, a de tratar melhor as pessoas, de ir à igreja, de ser gentil, de trabalhar direitinho e blá blá blá. Porque não traçamos metas tais como parar de fingir ser o que não somos ou ser sincero com todos e falar realmente a verdade? Sair da alienação medíocre que vivemos? Sim, minha próxima meta é, quando for cumprimentado por alguém que não gosto, dizer-lhe tudo o que peço, e não sorrir amarelo com meus dentes de tabaco.
Voltando aos meus desejos, eles são baixos, sujos, sujos, sujos, sujos e sujos como um sorriso hipócrita! Não os conto a ninguém, nem mesmo eu penso neles, porque, francamente, não valem a pena. Paro por aqui, o mundo é belo, amo a sutileza da ironia e lá fora vejo um sol tão radiante que me dá até vontade de (veja só) gritar ao mundo que sou feliz!
HAHA! Feliz Ano Novo!
Novo.

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